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A Lenda de Beowulf: um épico animado que reúne heroísmo, história e mitologia

Uma análise sem spoilers de uma animação quase cult de Robert Zemeckis


Você com certeza já deve ter assistido esse filme de forma picotada ao se deparar com ele em algum canal da TV a cabo, ou mesmo em alguma programação especial da TV aberta. E esse é um filme em que suas cenas chamam muita atenção, pois ele é uma animação com uma qualidade absurda para época, feito através de técnicas de captura de movimento, nasceu em um período em que as animações estavam bombando nos cinemas com filmes como Expresso Polar e Os Incríveis.

A Lenda de Beowulf é uma adaptação de Beowulf, o poema anglo-saxão mais antigo já encontrado. E embora a maioria das análises que você encontrará sobre este filme envolve o traçado de paralelos entre a história original e a que foi mostrada no filme, eu não farei isso, simplesmente porque nunca li a obra original e não acredito que a leitura de simples resumos me permita escrever uma análise séria. Portanto, farei uma análise do filme como obra singular e independente, livre de preconceitos.


Beowulf é uma baita animação voltada para o realismo, ele apresenta personagens muito parecidos com pessoas reais. Obviamente que se ele fosse feito hoje, estaria ainda mais verossímil graças aos avanços tecnológicos, mas para época foi um baita feito. E muitos se perguntam: por que não fazer um filme com pessoas reais de uma vez? A resposta é: escolha artística e limitações técnicas. O filme aborda uma temática mitológica, com monstros e criaturas fantásticas que seriam difíceis de serem reproduzidas através de um figurino comum, além de ficarem extremamente caras em live action. A animação, portanto, permite essa extravagância visual para reproduzir coisas relacionadas a fantasia de maneira mais econômica e visualmente mais coesa. Ademais, a produção achou que o estilo da animação combinasse mais com o tema mitológico da história.

O que eu posso dizer com certeza é que muitos pais deixaram seus filhos assistirem o filme porque achou que: “é apenas um desenho.” Mas a verdade é que essa animação é para adultos, há muitas cenas brutais de violência, além de cenas sugestivas de sexo e obscenidades.


Se por um lado o estilo adotado permitiu que um público não desejado pudesse assistir o filme, ele também afastou o público desejado de querer assistir o filme, afinal, muitos adultos – principalmente naquela época – pensavam: “animação é coisa de criança!”

Seja como for, o filme conseguiu ter boa aceitação das críticas e vendeu o suficiente para pagar o orçamento e ter algum lucro. Chegando até a ter jogos inspirados nele lançados para DS, PSP e PS2! Porém, para um filme de orçamento tão alto (aprox. 150 milhões de U$), obter um lucro bruto de 46 milhões de U$ não era o que os executivos da Warner estavam esperando.


Mas falando sobre o que realmente interessa para nós, a história gira em torno de um lendário guerreiro chamado Beowulf. Beowulf é um clássico herói das eras pré-cristianismo, pois possui como valores a busca incessante pela glória, o culto a valentia, a luxúria e a força.

Em uma de suas aventuras, ele vai até o reino de Heorot, governada pelo rei Hrothgar. O reino enfrenta um sério problema, um monstro chamado Grendel não suporta ouvir cantorias e festas durante a noite, e sempre que acontece ele invade as aldeias e deixa um rastro de sangue e morte. Muito humilhado, o rei anuncia aos quatro cantos que aquele que destruir o monstro receberá como recompensa metade do ouro do seu reino, e é aí que o Beowulf aparece para matar o monstro.

A partir dessa premissa, temos uma história de construção simples, um povo tem um problema com um ser maligno, chega um herói para salvar o dia e aí todos ficarão bem. Porém, a história é muito mais do que isso, pois o monstro tem uma mãe... não darei muitos spoilers, mas o nosso herói não terá uma tarefa tão simples.


Aliás, Beowulf como todo herói, tem um ponto fraco. Ele é um ser humano, não um deus, por isso está sujeito a tentações do mundo. E é aí que vemos um tom Cristão na história, pois na época em que se passa o filme, a Dinamarca (local do reino de Heorot) ainda cultuava os antigos deuses nórdicos e o Cristianismo estava engatilhando.

O Cristianismo trouxe uma nova visão: não é legal ser apenas forte e lutar por glória ou ouro, mas legal era morrer pelo que é justo e abdicar de riquezas e prazeres mundanos. O filme marca a transição da velha era para a nova era. Beowulf é o último sobrevivente da era dos heróis, e terá uma jornada pela redenção de seus pecados.

A história tem um clima épico quase todo o tempo, há poucas cenas de humor, e a adrenalina acontece nos momentos certos. A dublagem BR do filme está incrível e não perde em nada para a original em inglês.


Com aproximadamente duas horas de duração, o filme consegue contar e fechar a história no tempo certo. Fiquei apenas encucado com uma certa falta de coerência, pois na história há dois reis, e nenhum dos dois tiveram filhos com suas rainhas ou amantes... Pelo tempo que viveram, seria lógico que ao menos tivessem tido um ou dois filhos, mas a força do roteiro quis que não.

Em resumo, A Lenda de Beowulf é um filme obrigatório para todos aqueles que gostam de um bom épico, é o típico filme para rever diversas e diversas vezes, tem tudo o que precisamos: uma boa história, uma boa atuação (não cheguei a falar, mas os atores escolhidos são de primeiro escalão, temos Anthony Hopkins e Angelina Jolie), uma boa trilha sonora (uma bela orquestra) e uma baita animação!

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