Tudo sobre a montagem da minha nova máquina para jogos dos anos 2000!
1) Por que ter um Retro PC?
2) Escolha das peças
- Monitor VST 17 (recomendo que escolha um com proporção de tela 4:3/5:4, pois esse é o padrão da época);
- Teclado e mouse Keedi TEC 812 (gostaria de pegar um antigo da época, mas a minha bancada é pequena e precisava de espaço, esse cabe como uma luva);
- Mousepad compacto com almofada para o pulso;
- Mouse mecânico A4 Tech SWW-35 dos anos 90 (esse eu tinha grandes expectativas, mas no meio da instalação descobri que ele viera com defeito);
- Caixas de som Stereo comuns (padrão anos 2000, mas futuramente quem sabe eu invista em caixas da Edifier e em uma placa de som EAX);
- Placa mãe Asus P5P43TD LGA 775 (que tive que modificar a BIOs para ela poder reconhecer os Xeons);
- Xeon E5450 (veio da China, é equivalente ao Q9650);
- 2x4GB DDR3 1333MHz da Kllisre (já tive vários pentes dessa marca, sempre faça uso do Dual Channel);
- GTX 960 2GB Gigabyte Windforce (é uma placa overkill, mas paguei um bom preço por ela);
- SSD SATA Lexar NS100 256GB (para o sistema principal e jogos);
- SSD SATA Kingston A400 120GB (para um sistema Linux secundário);
- HD Western Digital Green 500GB (para backup ou uma batocera);
- Air Cooler Rise Mode G700 (tem uma instalação terrível, é um dos poucos sendo vendidos atualmente com suporte a LGA 775);
- 2x Drives óticos (são baratos e frequentemente dão defeito, bom ter um de sobra);
- Fonte Corsair RM550X (a qualidade dessa fonte é indiscutível, não brinco quando o assunto é energia);
- 4x fans de 120mm da Rise Mode (fans baratas para fazer algum vento e ter estilo);
- Gabinete Aerocool Aero 500 (gostaria de pegar um gabinete top de linha das antigas, mas todos estavam caros, esse eu paguei apenas R$60).
3) A montagem
Estou tão acostumado com os
gabinetes modernos que senti dificuldades em fazer tudo encaixar no Aero 500
que é um gabinete de 2015. Mas deu tudo certo, fiz umas gambiarras com arames
para prender as ventoinhas na frente do gabinete, colei o segundo SSD com fita
e velcro e deixei um ninho de cobras atrás da placa mãe. Mas ele ligou e é isso
que importa.
O que mais me deu trabalho foi o air
cooler que tive que virar para cima, pois senão ele bateria no dissipador da
north bridge da placa mãe. Ele vai perder eficiência, pois os ventiladores trabalharão
contra a gravidade, mas creio que não terei problemas de aquecimento, pois esse
já é um cooler overkill.
Também enfrentei vários demônios ao instalar os cabos do painel frontal. Nessa batalha é importante você ter em mãos o manual da sua placa mãe.
4) A instalação
Consegui uma ISO do Windows XP SP3 em português e gravei em um DVD virgem. A instalação foi simples e me trouxe boas recordações, pois na época tínhamos que formatar a máquina de tempos em tempos para melhorar o desempenho. Como a instalação foi em um SSD, foi um pouco mais rápida que antigamente, mas ainda sim limitada por conta da velocidade de leitura do DVD.
É importante pontuar que o
Windows XP aceita apenas como formatos de partição de arquivos o FAT32 e o
NTFS. O primeiro era o padrão dos anos 90, já o segundo é mais moderno (para a
época, hoje em dia o padrão é o GPT) e combinava melhor com o XP. Então formate
o seu SSD nesse formato antes de instalar o Windows nele.
Depois da instalação do sistema,
tive que correr atrás dos drivers da placa mãe e placa de vídeo. Por isso é
importante escolher placas de marcas conhecidas, pois assim você não ficará
dependente de drivers genéricos.
5) Teste do sistema
A estética azul com verde do Windows XP é realmente hipnotizante. Dá para entender o porquê de o sistema ter feito tanto sucesso, ele é muito bonito, as janelas não são mais pontudas e rústicas como nos sistemas anteriores, tudo é arredondado e sofisticado.Depois de alguns ajustes na sensibilidade do mouse e verificação de tudo estar Ok, abri alguns programas clássicos que usava nas antigas: MSN, Internet Explorer, Wordpad, Bloco de notas, Paint, Paciência spider, Pinball, Campo minado... E tudo está abrindo na velocidade da luz graças ao SSD, que mesmo limitado pela porta SATA II (velocidade teórica de até 300MBs), entrega o suficiente para deixar o sistema fluído.
O software mais icônico para mim é o jogo Paciência Spider. Isso porque era o jogo favorito do meu falecido avô. Ele tinha um PC na sala e passava horas jogando paciência e ouvindo rádios online. O vício era tanto, que mesmo depois que o PC morreu e ele ficou só com o celular, ele encontrou uma versão do jogo para celular para jogar enquanto assistia novelas. Gostaria que ele ainda estivesse aqui para desfrutar uma partida de paciência no meu Retro PC.
6) Os jogos
Eu tenho uma boa coleção de jogos em mídia física de PC. A maioria encalhado pois não funciona bem no PC moderno, mas agora poderei finalmente desfrutá-los novamente.A instalação de um jogo em mídia física é bem demorada, principalmente as expansões e pacotes de objeto do The Sims 2. Não vou me alongar muito, se quiser ver as instalações e detalhes da mídia e gameplay, deixarei no final deste artigo um vídeo de quase 3h da montagem e testes do Retro PC.
Porém, eu preciso alertar que alguns jogos lançados a partir de 2008 vinham com uma trava no jogo que só destravava após uma verificação online. O problema é que o Windows XP não é mais seguro se conectar a internet devido as falhas de segurança, e mesmo que você faça essa loucura (eu fiz por 30min) os servidores dos jogos não estão mais online. Em outras palavras, a sua mídia física está morta! Mas, calma! É possível salvá-las! Basta um pouco de pesquisa na internet... Há patchs não oficiais que desabilitam essa trava, foi assim que consegui destravar o Crysis Warhead e o GTA IV.
Outra coisa chata é que os jogos exigiam que o disco estivesse no drive para poder funcionar, igual funciona nos consoles. Há um jeito de burlar isso, basta substituir o executável do jogo por um modificado. Pesquise nos sites de busca o nome do jogo e adicione no final: “Patch NO CD” ou “Patch NO DVD”.
E o desempenho dos jogos? Como esperado, tudo rodou liso. Com exceção do GTA IV que aparecia com umas quedas para 24fps, mas isso deve mais a má otimização do jogo do que ao hardware. O próprio Crysis que é super temido por ser muito pesado rodou na casa dos 60fps.
Tive problema apenas com um jogo: Grand Theft Auto de 1997. O jogo funcionou inicialmente, mas depois de reiniciar a máquina algumas vezes ele começou a crashar. Vou tentar reinstalar para vê se melhora, mas acho bom comentar isso, pois apesar de ser uma máquina com o objetivo de evitar problemas de incompatibilidade, os problemas ainda continuarão existindo, só que em menor quantidade.
7) Mas vale a pena?
Para mim valeu muito a pena, é quase um sonho realizado. Poderei jogar os meus jogos preferidos sempre que quiser e com a experiência original. E ainda tenho espaço para conhecer outros grandes jogos que deixei passar por falta de oportunidade.Mas preciso ser honesto, montar um PC desse não é fácil. É preciso muita pesquisa sobre os hardwares antigos para não comprar nada que seja incompatível. Além disso, também exige paciência para garimpar as peças nos mercados, pois dificilmente você encontrará um PC do jeito que você quer já montado. Por isso é fundamental que você goste um pouco de informática e tenha certo entusiasmo pela “parte chata”, pois será preciso passar por ela, e a forma como você passa por ela definirá o resultado da jornada.
Em resumo, um Retro PC é uma máquina apenas para os corajosos aficionados por informática que gostam de se aventurar em hardware antigo e complicado, é para os entusiastas que gostam de viver a experiência fiel e original de um bom game, e para os nostálgicos que gostam de relembrar os tempos de ouro.
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