Análise sem spoilers de um hack and slash ambicioso esquecido na 7ª geração de consoles.
Dante’s Inferno é de longe uma das maiores Hidden Gems da 7ª geração de consoles. O jogo desenvolvido pela Visceral Games e publicado pela EA em 2010, fez algum barulho na época, mas vendeu pouco. Lançado para três consoles daquela geração (Xbox 360, PS3 e PSP), vendeu menos de 2 milhões de unidades, o que na época era pouco dado o investimento feito no game. O jogo não deu prejuízo, mas vendeu muito menos do que o esperado.
Um fato que corroborou para o pouco sucesso do game na época foi o lançamento estrondoso do God of War III, encerrando a trilogia grega. E Dante’s Inferno que é sim uma cópia da jogabilidade dos primeiros GOW, ficou totalmente ofuscado. No entanto, anos mais tarde o jogo foi redescoberto pelos jogadores que o reanalisaram e pontuaram que Dante’s se trata de uma obra prima, ao contrário do que diziam os reviews especializados de 2010.
Portanto, apesar de ser um quase fracasso comercial, Dante’s Inferno é um sucesso artístico, pois acertou em cheio em diversos aspectos. Primeiramente, o jogo resolveu adaptar a Divina Comédia de Dante Aliguiere, um clássico da literatura mundial que narra a história de um sujeito chamado Dante em uma jornada espiritual pelo inferno, purgatório e paraíso. Os escritores da Visceral Games, com bastante liberdade poética, transformaram Dante em um guerreiro Cruzado que teve sua amada Beatriz raptada por Lúcifer e agora ele precisa descer até as profundezas do inferno para resgatá-la.
De longe temos uma premissa simples, o herói que vai salvar a princesa. Na prática temos uma história mais profunda, pois essa é também uma jornada de redenção e expiação. O inferno é dividido em nove círculos, cada círculo está destinado a um tipo de pecado, portanto ao descer os círculos encontramos figuras históricas conhecidas. Por exemplo, no segundo círculo, destinado ao pecado da luxúria, encontramos Cleópatra, uma rainha conhecida por sua devassidão.
O interessante é que podemos absolver ou punir esses pobres miseráveis que encontramos no inferno. Ao absolvê-los ganhamos almas verdes que servem para desenvolver a árvore de habilidade “holly”, ao passo que punindo-os podemos ganhar almas vermelhas que desenvolve a árvore “unholly”.
Cada círculo possui um design único, inspirado nos escritos de Aliguiere, temos uma ambientação bastante macabra. Pelo que andei pesquisando, muitos jogadores se sentiram perturbados ao jogar o game. E não, não é um jogo de terror, não tomamos nenhum tipo de susto.
Acompanhando o cenário, temos uma excelente trilha sonora, que varia de orquestras épicas a cantos gregorianos.
A história é contada em forma de CGI, muito bem feitas. Joguei a versão de PSP e as CGIs não sofreram redução de qualidade. Aliada a isso, nosso protagonista sofre com constantes flashbacks do passado mostrados em imagens móveis ao estilo quadrinhos.
Então temos um jogo com bons gráficos, excelente ambientação, boa história... e quanto a jogabilidade? Como antecipado no início, a gameplay é uma cópia de God of War, e também pegou alguns elementos de Devil May Cry. O guerreiro Cruzado possui uma foice como arma melee e uma cruz sagrada que dá dano à distância, além de magias são adquiridas no decorrer da jornada. De certa forma, o jogador tem uma boa liberdade para montar sua árvore de habilidades e escolher como derrotar seus inimigos, quais combos usar etc. É uma fórmula que funciona e que deu certo, então apesar de não ser nada original, é prazeroso e cumpre o seu papel.
O único momento que me senti frustrado, foi na parte final do game, mas especificamente nas fases pré último boss. Enfrentamos uma sequência de arenas com nada mais que spam de inimigos, sem variedade de cenário ou desafios. Ficou parecendo que os desenvolvedores ficaram sem ideias e quiseram acelerar o game.
Sobre o desempenho, o jogo quase não tem bugs. E impressionantemente rodou bem no PSP, tendo queda de quadros apenas em uma das últimas masmorras em que o spam de inimigos foi grande. Mas também não atrapalhou a experiência.
Como dito antes, a história é inspirada na Divina Comédia, que por sua vez tem inspirações na tradição Católica e na Bíblia. Ou seja, Dante’s Inferno é uma história Cristã Católica! Isso pode deixar algumas pessoas incomodadas, então saiba de antemão! Além disso, há muitas cenas viscerais e com nudez explícita, definitivamente não é um jogo para crianças ou para se jogar em família.
Infelizmente esse jogo nunca verá uma continuação, pois o estúdio foi fechado e os planos para o Dante’s Purgatory deletados. Mas o game é completo em si mesmo, creio que vale muito a pena ser jogado. Tem cerca de 9h de gameplay, um bom fator replay, uma história muito boa (eu diria que é melhor até que God of War!), uma ambientação épica, uma jogabilidade boa... sério, apenas jogue esse grande game.
*Todas as screenshots presentes nesse artigo foram tiradas diretamente do meu PSP.
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