Pular para o conteúdo principal

A Evolução dos Gabinetes

De caixa de armazenamento à peça de decoração, a evolução dos gabinetes foi brutal.


O gabinete é o periférico que sempre leva menos importância em uma build, o usuário sempre vai priorizar investir mais em um bom processador ou em um bom monitor do que em um gabinete top de linha. Porém, a caixa de metal que armazena componentes sempre estará presente em uma montagem, e essa caixa nem sempre foi a mesma, passou por diversas mudanças ao longo dos anos. Neste artigo irei vos mostrar o resultado das minhas pesquisas acerca da evolução dos gabinetes.

O design dos gabinetes foram sendo alterados ao longo do tempo por conta de três fatores: desenvolvimento tecnológico; necessidade e estética.

As tecnologias somem e voltam de acordo com a moda, por exemplo: durante um tempo foi moda ter uma controladora de fans, alguns gabinetes acoplaram reguladores de voltagem junto ao painel frontal para facilitar o trabalho, mas depois de um tempo as placas mães e fans evoluíram e o controle das fans ficou mais preciso, saindo de cena então as controladores externas.

Por necessidade, as fabricantes foram adicionando features para facilitar a manutenção por parte do usuário. Filtros de poeira e argolas de cable management por exemplo é algo que ganhou força a partir da década de 2010.

E já no quesito estético, as mudanças foram mais bruscas, pois os gabinetes minimalistas da década de 90 que ficavam escondido no canto do rack juntando poeira foram escanteados e com o passar do tempo os gabinetes vieram cada vez mais abertos, tornando-se verdadeiro objeto de decoração.

Vamos acompanhar a história dos gabinetes, começando do início:

1. Anos 80

 
Os primeiros computadores desktop focavam na funcionalidade máxima. Ou seja, o design era bem simples, o gabinete era geralmente usado na horizontal e o monitor ficava em cima, economizando espaço.

Era literalmente uma caixa de metal, com pouca preocupação com a refrigeração ou cable management. Embora os componentes na época não aquecessem tanto como os de hoje.

2. Anos 90

 
A partir dos anos 90 os gabinetes estilo torre foram se popularizando. O formato vertical permitia uma melhor organização de componentes, e também a adição de mais drives de disquete e de CD que na época eram as mídias mais populares.

O fluxo de ar também foi aprimorado, pois havia mais aberturas: na frente e às vezes na lateral. Os processadores usavam um cooler estilo redemoinho e geralmente acoplava-se um duto de ar na lateral do gabinete.

Apesar de maior, podia ser mais leve que os anteriores, visto que misturavam partes de metal com partes de plástico duro. O design ainda era tímido: bege, cinza ou preto.

3. Anos 2000


Com a virada do milênio, os computadores ganharam um olhar mais futurista, não só em relação a software com os Windows XP e Vista trazendo um design mais sofisticado e arredondado, mas também com os gabinetes ganhando curvas.

Foi nessa década também que começou a divisão entre PC de escritório e PC gamer. O PC voltado para gamers devia possuir uma maior atenção no tocante ao fluxo de ar, visto que na época os overclocks eram comuns. Por isso, os primeiros modelos com fonte posicionada na parte inferior foram criados, essa alteração permitia que a fonte sugasse um ar mais limpo do exterior, ao invés de sugar um ar já quente que era expelido do cooler do processador que em over esquentava muito.

Também foram surgindo gabinetes com lateral em acrílico e leds de cor única.

Marcas como Alienware, NZXT e Cooler Master ousaram bastante trazendo modelos voltados para o público gamer com visuais agressivos e únicos como o: Cooler Master Cosmos; Leadership Viper e Alienware Aurora 7500.

Ainda sim, os gabinetes com design dos anos 90 não tinham sido completamente abandonados, mas ficaram mais restritos a PCs humildes e para o público de escritório. A mudança para esse público fica em relação a cor: o bege foi completamente abandonado.

4. Primeira metade da década de 2010

Nessa época houve a consolidação das novidades da era anterior. Dessa vez até os gabinetes mais básicos já vinham com um bom fluxo de ar e até mesmo com lateral em acrílico e/ou fan led.

Ainda era comum gabinetes com várias baias para driver de DVD/CD, além de muitas baias internas para HDD.

Alguns gabinetes vinham com gadgets como: controlador de fan; alça para transporte; filtro de poeira removível...

5. Final dos anos 2010 e início da década de 2020

Nesta fase houve uma mistura de minimalismo com show case. Isso porque internamente várias coisas foram removidas para permitir melhor fluxo de ar e melhor gerenciamento de cabos. Os DVDs estavam em queda, logo não fazia mais sentido ter baias para ele. HDDs também estavam em queda, visto que o Windows 10 exigia SSD para funcionar adequadamente.

Os SSDs por serem menores que os HDDs, podiam ser colocados em locais mais tímidos do gabinete como a parte de trás da placa-mãe. A fonte ganhou o chamado PSU Cover, para esconder os cabos que saíam dela. A lateral deixou de ser apenas uma janela e virou uma porta completa em acrílico ou vidro.

A frontal ganhou perfurações, permitindo a instalação de fans por toda a sua extensão.

A tecnologia dos leds evoluiu para RGB e depois para ARGB. Era possível agora trocar as cores das fans à vontade, e para permitir melhor visualização do show de luzes, a frontal também podia ser transparente.

Devido o maior espaço interno, usuários começaram a usar mais as placas de 30cm+ e water cooler de 3 fans.

6. Década de 2020 até agora

O formato torre retangular finalmente sai de moda e abre espaço para o formato cubo. Essa é uma mudança brutal, pois mobiliza a fonte e os cabos totalmente para a parte traseira, atrás da placa-mãe.

Também chamado de Aquário, os gabinetes de hoje permitem uma visualização completa do interior, ou pelo menos das partes que mais interessam.

Com a queda dos SSDs Sata, a quantidade de componentes internos também diminui, haja vista que o SSD Nvme é plugado direto na placa-mãe, sem necessidade de cabo de dados e de cabo de alimentação extra. Assim, a manutenção também se tornou mais fácil, mas não só por ter menos componentes, mas também pelo fato dos cabos estarem todos de um lado só.

Os gabinetes modernos se tornaram verdadeiras peças de decoração. Porém, há também uma moda minimalista em ascensão, com gabinetes sem luzes e mais fechados, com detalhes em madeira e desenho mais sóbrio, como o Lian Li A3 Wood Edition.

Em resumo...

Atual gabinete do V5, um Montech Air 1000 Lite

Os gabinetes representam uma vontade de seu tempo, quando se precisava de muito, ele entregava muito, quando se pedia menos, ele diminuía, e assim seguirá. Começou como uma peça feita apenas para armazenar componentes, hoje é uma peça fundamental que agrega funcionalidade e decoração, mas nada impede que no futuro ele volte a diminuir de tamanho e importância com uma possível diminuição dos componentes de hardware.

Comentários

Mais visitadas

Análise do Headset Fantech Harmony Pro WHG02P

Um headset wireless com um excelente custo-benefício. Por muito anos usei como meu headset principal o Astro A10, um headset com fio de uma marca consagrada no mercado. Ele tem suas qualidades, mas a sua frágil construção me obrigou a pesquisar no mercado um substituto. Dessa vez queria um fone com conexão wireless, não queria a limitação dos fios e queria algo que permitisse alternar entre PC e Celular. Eis que encontro três opções custo-benefício no mercado: Logitech G435, Baseus GH02 e o Fantech Harmony. Inicialmente optei pelo G435, em razão de confiar na marca. Mas um problema na entrega da loja fez com que ele não chegasse a minha casa. Então pulei para o Baseus GH02, tido por muitos como o rei do custo-benefício dos headsets wireless. Ele chegou e pude usá-lo por aproximadamente uma semana. Infelizmente a minha unidade veio com um defeito chato: um ruído permanente e baixo. Tive que devolver e pedir o reembolso. Meses mais tarde, decidi comprar o Fantech Harmony. Entretanto, ant...

Retro PC anos 2000 com Windows XP: como e por quê?

Tudo sobre a montagem da minha nova máquina para jogos dos anos 2000! Já faz uns anos que planejo montar um setup retro para rodar jogos da geração Windows XP. Depois de postergar a ideia por quase dois anos, finalmente pus ela em prática e concluí o projeto no verão de 2026. As ideias sobre o setup final mudaram diversas vezes, e neste artigo falarei o porquê ter um Retro PC e quais os desafios que eu enfrentei ao montar o meu. Talvez ajude alguém a decidir se vale ou não a pena montar um parecido e dar luz aos caminhos que se deve trilhar. 1)      Por que ter um Retro PC? Primeiramente, por que montar e manter um Retro PC? Não é mais fácil ter um PC moderno e jogar tudo nele? O primeiro problema que enfrentamos ao tentar jogar jogos antigos em uma plataforma moderna é a falta de compatibilidade entre o jogo e o sistema operacional e hardware modernos. A maioria dos jogos não vai nem abrir, e se abrir vai ser cheio de bugs e crashs aleatórios. Algumas empresas solta...