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Killing Zoe: um violento filme neo-noir com o DNA de Quentin Tarantino

Lançado em 1993, o filme é pouco conhecido, conta uma história cheia de drogas, violência e alucinações nas ruas de Paris.



Parceiros do Crime (Killing Zoe) é um filme meio obscuro, pouco popular e até meio cult. Apesar de levar o nome do Quentin Tarantino na capa, o filme não foi produzido e nem escrito por ele, Tarantino trabalhou apenas como diretor executivo e deu um ou outro palpite na produção. O filme foi dirigido por Roger Avary, coescritor de Pulp Fiction e amigo do Tarantino.

Apesar de disso, o filme possui claramente o DNA do Quentin, pois a obra é rica em diálogos, violência extrema, uso de drogas e momentos alucinantes. É impossível não traçar semelhanças com Cães de Aluguel ou Pulp Fiction.

Adquiri o DVD meio que por acaso, pois estava precisando completar o carrinho para livrar o frete e o nome do Tarantino na capa me chamou atenção. O filme em DVD é em formato 4:3 e - parece - ter sido copiado diretamente do VHS, e isso é notável pois em muitas cenas vemos aqueles riscos clássicos das fitas de VHS. Honestamente, acredito que a experiência na TV de tubo ficou fantástica, e esse "filtro VHS" casou bem com o clima neo-noir.


A história do filme gira em torno de um grande assalto a banco na cidade de Paris, organizado por um grupo de criminosos locais. O líder do bando contata um velho amigo Americano para que ele venha até a cidade dos croissants participar da empreitada, o nome do sujeito é Zed, interpretado por Eric Stoltz, e ele é especialista em arrombamentos.

Logo ao chegar na cidade, Zed conhece um taxista cafetão que passa para ele o contato de uma prostituta, a jovem Zoe, interpretada pela Julie Delpy. Zoe visita Zed em seu quarto de Hotel e lá acontece uma cena de sexo bem mais ou menos, ficando de positivo apenas os belos seios da atriz.


Após isso, Zed conhece os criminosos que o contataram e em breve colocará as mãos na massa.

A sinopse é interessante, no começo parece que rola uma espécie de romance, mas logo o filme corta para o que realmente interessa que é o crime. Os personagens, em especial o líder dos criminosos, são maníacos de baixo QI viciados em tóxicos, o que deixa as coisas engraçados pois várias loucuras são feitas por eles.


O filme passa a ideia de que Paris é a cidade das loucuras. Eu não sei se isso é verdade (talvez fosse nos anos 90?), mas qualquer cidade vista sob o prisma de um usuário de heroína chapadaço é uma cidade louca.

E esse não é um filme clichê, meus caros leitores, vemos criminosos organizando um crime sob o efeito de drogas pesadas, mas também vemos cortes engraçados e - muito - inesperados. Os spoilers pesados eu deixarei para o final.

A cobertura do bolo fica por conta da violência, assim como em outros filmes do Tarantino, não houve economia. Uma pessoa que não gosta de violência claramente não se sentirá confortável em assistir, mas o filme retrata a realidade, criminosos não são bonzinhos e realizam ações bárbaras e desumanas em qualquer lugar.


O ápice do filme é satisfatório, mas peca em algumas cenas de ação. Uma em especial me chamou atenção, um personagem leva um murro na cara e a filmagem ficou parecendo a de um filme amador, a pessoa cai no chão de maneira estúpida.

Outra coisa que me incomodou foi o personagem principal, o cara parece que tá na lua o filme todo, não fala quase nada e demora uma eternidade para formular uma frase. Além de ter uma baita cara de tolo, sem personalidade.


No geral eu diria que é um filme Ok, curto (aprox. 95min), com uma história simples mas que brilha com a atuação do antagonista, com a violência extrema e com as cenas imprevisíveis. Infelizmente o protagonista não impacta tanto, o romance com a puta é fraco e as cenas de ação deixaram a desejar. Os diálogos são bons, vale frisar. Se você curtiu outros filmes do Tarantino, ou então se curte filmes sobre criminosos e com a vibe anos 90, provável que goste desse.

A partir deste ponto haverá fortes spoilers.

Eu confesso que fiquei chocado com o trecho do filme em que os caras estão curtindo uma noitada em Paris regados a muito droga. Em certo momento eles entram em um bar para passar à noite fazendo besteiras, e no final, Zed chapadaco após ingerir um comprimido oferecido pelo maníaco Eric, vislumbra um dos caras da equipe sendo enrabado pelo Eric. Aquilo foi totalmente inesperado, e me pergunto qual dos caras foi a vítima. E será que o Zed depois também foi uma vítima? Seria o Eric um maníaco sexual compulsivo?


Outra cena importante é uma que ocorre no carro e o Eric informa ao Zed que contraiu Aids com uma seringa infectada. Essa informação é importante, pois devido a luta corporal dos dois no banco, o sangue do Eric jorrou em cima das feridas do Zed. Em outras palavras, o final não foi bom para o protagonista, que apesar de ter sobrevivido àquela lambança, ficou infectado por uma doença sem cura e que na época levava à morte rapidamente.

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