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Rocky III: uma mudança de rota que deu certo

Análise e reflexões do clássico de 1982.

Desde que me entendo por gente sempre gostei da franquia Rocky. E sempre que preciso de uma dose de motivação caço um de seus filmes para assistir. Voltei a colecionar DVDs e encontrei o Rocky III por um preço extraordinário e não pude deixar de comprar, infelizmente não encontrei os dois primeiros, por algum motivo eles são os mais difíceis de encontrar no Brasil.

Rocky III representa uma mudança de narrativa em relação aos antecessores. Enquanto os filmes iniciais possuem uma carga mais melancólica, de construção lenta, introspectiva e voltada para os problemas e relações do personagem principal; Rocky III foca no nobre esporte, o boxe.


Aqui vemos inicialmente como está a vida do Rocky, agora o grande campeão e centro dos holofotes. Ele ficou rico, famoso, poderoso. E com isso veio também a soberba e acomodação.

Um rival está à porta, Clubber Lang, contracenado pelo ator novato Mr. T. E o que dizer do personagem? É um cara absolutamente caricato, as coisas em relação a ele acontecem de maneira bem clichê. Extremamente arrogante e prepotente, Lang é um boxeador em ascensão que venceu a maioria das suas lutas por nocaute, e sua grande ambição é desafiar Rocky para tomar-lhe o cinturão dos pesos pesados. Mal-educado e provocativo, é o tipo de cara que ninguém gosta, mas que ninguém tem coragem de desafiar.

A grande luta acontecerá, poderá Rocky superar a máquina de combate Lang? Será que a posição confortável no topo deixou o Balboa fora de forma?


Bom, mas antes da grande luta, Rocky participa de uma luta de exibição com um astro do MMA, um gigante chamado Thunderlips, contracenado por Hulk Hogan. Essa cena é extremamente hilariante e sempre me arranca sinceras risadas. O Rocky é arremessado para a plateia como se fosse um boneco, e o gigante começa a bater em todo mundo, sobrou até para o árbitro. O filme fica com uma carga mais leve por conta desse início.

Chegado o dia derradeiro, após uma sessão de treinamento um tanto estranha, Rocky chega no estádio para enfrentar seu adversário, mas infelizmente o seu treinador Mickey teve um infarto e precisa ser socorrido. Rocky pensa em desistir, mas por insistência de Mickey decide voltar.


Ali já sabíamos o que iria acontecer. Estava escrito. Após uma surra monumental, Rocky volta para o seu treinador agonizando no leito de morte e omite a informação quanto ao vencedor da luta, Mickey se despede sorrindo acreditando que seu pupilo havia vencido. Em uma das cenas mais emocionantes dos anos 80, Rocky chora pela perda daquele que fora quase um pai para ele.

Uma coisa que muitos se questionam é se Rocky venceria o Lang se o Mickey não tivesse sofrido aquele infarto. Eu acredito fortemente que não, o próprio Apollo Creed em cena futura menciona isso, faltava em Balboa o Eye of the Tiger. Talvez ele não tivesse sido nocauteado tão cedo, mas certamente perderia.

Mas olha só, a grande atração desse filme não é a rivalidade entre o personagem principal e seu antagonista, mas sim a parceria inesperada entre Apollo Creed, rival nos dois primeiros filmes, e Rocky. Apollo decide treinar o colega e o ajudar a se reerguer.


As cenas de treinamento desse filme são as melhores de toda a franquia! A sincronia de Sylvester Stallone com Carl Weathers é fantástica.

E a verdade é que o Balboa se torna um lutador ainda melhor com as técnicas aprendidas com Creed.

E o resultado não poderia ser outro, Lang nocauteado de forma humilhante. Balboa usa de uma estratégia chamada “Let him punch himself out”, que traduzindo significa: deixe o adversário se cansar. A estratégia consiste em fazer o adversário pensar que está por cima, que está perto de finalizar o oponente, e aí ele começa a intensificar seus golpes, aumentando os níveis de adrenalina e esgotando sua energia. Quando o adversário se cansa, é hora do contra-ataque.


Rocky é o verdadeiro campeão, recuperou o Eye of The Tiger. Porém, a cereja do bolo desse filme é a luta final. Sim, a luta final não é contra o Clubber Lang, mas sim contra o Apollo Creed, sem plateia, dentro de um ginásio vazio, na camaradagem.

E quem foi o vencedor? Não sabemos. Mas sinceramente isso pouco importa, essa luta representa o poder da amizade e do respeito mútuo entre dois campeões. No fim, os filmes dessa franquia não falam apenas sobre perder ou ganhar, mas sim sobre superação, respeito e determinação para atingir seus objetivos.

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