Análise sem - muitos – spoilers do fracasso de bilheteria de 2002.
A segunda guerra mundial foi o acontecimento mais marcante do século XX, um evento que fascina todos, inclusive este que vos fala. Desde jovem lia livros e artigos sobre o tema, assistia comentários e filmes e acertava todas as questões sobre o assunto nas provas de história. Mas Windtalkers (Códigos de Guerra em BR/PT) eu não tinha visto ainda, por um valor irrisório consegui adquirir a mídia física e assisti nessa última terça.
O filme conta a história de um sargento chamado Joe Enders, interpretado por ninguém menos que Nicolas Cage. Logo no começo ele sofre um evento traumático em uma batalha, vê seus companheiros perecerem sob seu comando, pois ele optou por seguir uma ordem suicida para defender um posto. Foi o único que sobreviveu, ficou com sequelas que afetou parte de sua audição, e também o seu psicológico, tendo visões e lembranças daquele momento traumático.
Ele recebe a importante missão de escoltar um índio Navajo chamado Yahzee durante uma batalha no pacífico, e aí vem a parte interessante do filme. Uma história que poucos conhecem, e que eu mesmo só fui conhecer ao assistir esse filme, é que os Navajos foram recrutados para serem operadores de rádio no pacífico, e o seu idioma serviu de criptografia para a transmissão de mensagens em campo de batalha. Os Japoneses jamais conseguiriam decifrar aquele código sozinhos.
Quem diria que o traseiro dos americanos seria salvo por descendentes daqueles povos que eles massacraram e escantearam durante anos?
Os operadores de rádio são parte fundamental em um pelotão, pois ao se aproximar dos inimigos e de suas instalações fortificadas com metralhadoras e/ou morteiros, é possível enviar as coordenadas para a base e solicitar apoio aéreo para bombardear as instalações.
Normalmente os operadores eram jovens esguios e sem muita habilidade com armas. Sua função principal era a operação de rádio. O corpo leve ajudava a se locomover, mas normalmente ficava atrás dos companheiros devido a sua importância para a equipe. Em algumas cenas podemos ver os operadores em pânico ao ver o real teatro de guerra.
Por não conseguirem decifrar o código Navajo, os Japoneses precisavam capturar um soldado Navajo para torturá-lo e forçá-lo a revelar os códigos, por isso é de extrema importância o trabalho do sargento Enders, ele precisava proteger o código, pois o código exposto colocaria em risco a vida de milhões de soldados.
Apesar de todas as premissas e pano de fundo, o filme infelizmente caiu no clichê. Os personagens além de caricatos não receberam a profundidade necessária para que possamos sentir empatia, com exceção de uma ou outra cena.
Ademais, ao compararmos com outros filmes de guerra como O Resgate do Soldado Ryan, Dunkirk e Nada Novo no Front, que tinham um foco no realismo da narrativa, Windtalkers é mais “arcade” nesse aspecto e foca mais em um heroísmo genérico e explosões pirotécnicas.
Os acontecimentos são absolutamente previsíveis. E em alguns momentos, notei que o filme se aproximou demais da comédia, e eu não sei se foi proposital ou acidental. Por exemplo, em uma cena vemos um soldado usando seu próprio corpo para abaixar o arame farpado de uma cerca e permitir que os companheiros avançassem, após um corte de cena vemos esse soldado todo enroscado e preso no arame, outros três colegas vão resgatá-lo e acabam fuzilados. A cena de tão bizarra ficou cômica, contrastando com o cenário de morte e tristeza de um avanço em campo de batalha, onde diversos companheiros estão sendo bombardeados, perdendo membros e chamando pela mamãe.
O diretor John Woo claramente pesou a mão nas cenas de ação, os personagens magicamente conseguiam se livrar de situações absurdas pelo poder do roteiro. Ficou parecendo videogame. Em muitos momentos gritei: “- que mentirada do caralho!”, “- não é possível!”.
Em resumo, não posso dizer que Windtalkers foi uma decepção pois ninguém nunca me recomendou ele, é um filme escondido entre as listas de filmes de guerra e só o conheci porque o achei em um sebo sendo vendido à preço de banana, não esperava muito e por isso não fiquei frustrado. É absolutamente mediano, o que salva são as cenas de ação de guerra, mas em termos gerais está muito atrás do clássico de 1998 de Steven Spielberg.
O filme se torna uma pérola apenas para aqueles mais aficionados por segunda guerra, pois a história dos Navajos até então não havia sido contada.






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