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Roma: A série que transforma política em espetáculo

Uma análise sem spoilers da produção da HBO recriou a queda da República com fidelidade histórica e drama humano


O Império Romano foi sem dúvidas o mais importante e influente da história da humanidade, sua capital mítica, Roma, foi objeto de desejo de diversos governantes europeus por séculos e séculos. Mas Roma nem sempre foi um Império, antes ela foi uma República. E na República de Roma os homens se reuniam no senado para discutir e votar sobre questões relacionadas ao império e ao povo.

Eu não procurei a série Roma para assistir, simplesmente vi um BOX de DVDs sendo vendidos por um bom preço e pesquisei o nome da série no google para saber do que se tratava. Descobri que foi uma grande produção da HBO, tendo o maior orçamento da época (2005) e sendo bem aclamada por críticos e historiadores. Então coloquei o produto no carrinho e comprei, comecei a assistir no dia seguinte que chegou, mas sem muitas expectativas. Acabei maratonando todos os 22 episódios da série e mais alguns extras em cinco dias.


Se tem uma coisa que eu não gosto em séries e filmes que retratam períodos históricos é a infidelidade histórica. Sério, fico extremamente puto quando alguém descaracteriza totalmente algum elemento histórico para se adequar a mentalidade atual. Roma não tem nada disso, é uma série com uma acuidade histórica impressionante. Porém, obviamente que ela não seguirá à risca toda a cronologia dos acontecimentos que fizeram a República de Roma cair e virar um Império, há personagens e acontecimentos inventados, não é um documentário do History Channel, ela usa alguns acontecimentos marcantes como o triunfo de Júlio César e Marco Antônio como pano de fundo enquanto desenvolve personagens fictícios para dar vida ao drama.

Um detalhe que me surpreendeu é que a série não tem foco algum nas guerras e batalhas lendárias dos Romanos, as batalhas como as que houve contra os Gauleses são mostradas apenas em pequenos cortes, normalmente no momento final em que tudo já está decidido. Mas a surpresa em si não é apenas em relação a essa a ausência, mas sim ao fato de que a ausência dessas cenas não desabona em nada a série. Pois normalmente em filmes e séries históricas as batalhas são o ápice da narrativa, mas Roma não precisa disso, pois seu foco é nas intrigas políticas e na tragédia.


Portanto, quem começar a assistir a série por conta de batalhas e ação, vai quebrar a cara totalmente. Eu diria que essa é essencialmente uma série política, aqui nós vemos os bastidores, os sentimentos dos grandes personagens, as tramas, a corrupção, o dia a dia.

Porém, como eu disse antes, os grandes eventos e personagens históricos são um grande pano de fundo, pois a série nos dá dois protagonistas: Tittus Pullus e Lucius Voranos. Dois legionários do exército que inicialmente eram rivais, mas no decorrer da trama acabam se tornando ótimos amigos e enfrentando uma jornada de aventuras e desenvolvimento pessoal. Com eles podemos enxergar o dia a dia dos cidadãos comuns em Roma.


Os personagens têm problemas e fraquezas iguais a quaisquer outros seres humanos, e é bastante gratificante poder enxergá-los evoluindo no decorrer da trama. Em certos momentos me peguei torcendo para que um dos personagens realizasse tal coisa.

A série tem apenas duas temporadas, mas o detalhe é que inicialmente foi planejada apenas uma única temporada. Mas segundo rumores, o sucesso da série foi tão grande que resolveram fazer uma segunda. E acredite, havia espaço para mais uma terceira e talvez até uma quarta, porém os atores já haviam fechado contratos com outros trabalhos e a série precisou ser encerrada na segunda temporada mesmo.


A segunda temporada parece correr mais rápido, provavelmente tiveram que acelerar por conta do orçamento que já era bem alto. E é na segunda em que há uma cena extensa de uma batalha, provavelmente a maior parte dos recursos foram gastos nela.

A série me lembra muito as primeiras temporadas de Game of Thrones por conta do drama político. Porém sem nenhum tipo de fantasia. E também foi usado pouco CGI, lembro apenas de algumas cenas de batalha em que soldados foram desmembrados e ali precisou usar os tais efeitos computacionais. Essa economia de CGI faz com que a parte gráfica da obra se torne atemporal.


Um ponto negativo, a meu ver, foi a escolha da atriz que interpretou a Cleópatra. Não que ela tenha feito má atuação, longe disso. Mas na minha mente a Cleópatra deveria ser estupendamente bela, e eu sinceramente esperava mais.

Por outro lado, deixo como destaque a escolha do ator que interpretou Marco Atônio, James Purefoy. A atuação desse cara é digna de Oscar!


Em resumo, a série Roma é uma joia preciosa da HBO, uma produção magnífica e atemporal que foge dos clichês de outras obras para entregar algo fiel e bem construído. Recomendo a todos.

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