A carta de Hogwarts finalmente chegou! Análise sem spoilers de um dos jogos mais vendidos dos anos 2020.
Um dos jogos que eu mais quis jogar nessa década, sem dúvidas, foi o Hogwarts Legacy. Em partes porque eu curti o hype criado por ele na época do lançamento, e em parte porque eu sou um grande fã do universo criado pela J.K. Rowling. Quando adolescente, li todos os livros e assisti todos os filmes, até hoje tenho alguns DVDs.
O universo Harry Potter nunca produziu grandes games. Tudo bem que alguns podem até ser considerados bons, mas muito bom não tem nenhum. HL não seguirá a história dos livros principais, conta uma história alternativa, que se passa um século antes dos acontecimentos da história principal. Aqui poderemos criar o nosso próprio personagem e participar da história como protagonista!
Infelizmente não pude jogar esse game no lançamento, por motivos de falta de tempo e por já ter um backlog de jogos grande na época. No final de 2025 a tia Epic Games resolveu presentear seus usuários com uma cópia 0800 completa do jogo e assim pude finalmente desfrutá-lo.
O nosso protagonista criado é meio que especial, logo no começo descobrimos que ele possui uma habilidade rara de vislumbrar rastros de magia ancestral, além disso, diferente dos outros alunos de Hogwarts, nós entramos na escola no 5º ano por motivos (roteiro, obviamente) que me fugiram da memória. Percebemos então que é bem parecida com a história do próprio Harry Potter, que era um garoto famoso e especial.
E assim como nos filmes, aqui nesse game viveremos muitas aventuras. Não será apenas um simulador de escola de magia e bruxaria. Enquanto íamos para a escola, nossa carruagem foi atacada e acabamos caindo, no meio do caminho o professor Fig, nos leva ao banco de Gringots onde temos a oportunidade de pegar um item raro. Esse item está sendo procurado por um duende chamado Ranrok, esse cara é maligno e controla uma gangue inteira, ninguém tem coragem de peitá-lo. Então já começamos com problema, tem um duende atrás da gente, encontramos um item secreto que não sabemos para que serve e possuímos uma habilidade estranha que quase ninguém possui.
O arco principal girará em torno da busca desses segredos. Por fora podemos conhecer colegas da escola, fazer tarefas escolares, passear por Hogsmead e fazer favores para os moradores e tudo o mais que um bruxo pode fazer em um mundo como esse.
Apesar do mistério central ser interessante, as tramas paralelas são bem sem graça. E o que piora tudo é qualidade dos diálogos, são todos robóticos e genéricos.
Outra coisa bem frustrante são as escolhas narrativas, podemos escolher linhas de diálogos diferentes, ir por caminhos diferentes, mas no final do dia muda muito pouco. A história certamente não é o ponto forte desse game, ninguém vai querer rejogá-lo por conta dela.
Se a história é sem sal, a ambientação pode compensar um pouco. Minha honesta reação ao adentar no castelo foi de espanto, toda aquela magia que lemos nos livros e assistimos nos filmes está ali, o trabalho que eles fizeram foi fenomenal. O dormitório da casa em que ficamos é detalhado, cheio de objetos interagíveis, quadros que se mechem, escadas que se mudam, alunos pregando peças nos outros, fantasmas atravessando paredes...
E não só o castelo, a floresta proibida também foi fielmente representada, possuindo um clima bem dark e perigoso. Lá podemos topar com alguns centauros, ouvir barulhos estranhos e encontrar as malditas aranhas. Os vilarejos também são bem vivos, com muitas lojas e habitantes.
O jogo possui muitos colecionáveis, e a exploração pode ser recompensadora, nunca sabemos o que iremos encontrar. Uma das coisas mais legais é, sem dúvidas, pegar uma montaria e sair voando por aí. Animal!
Hogwarts Legacy é um jogo de aventura, com elementos fortes de RPG e ação em mundo aberto. A gameplay é bem prazerosa, os movimentos são fluídos e responsivos. Temos uma grande quantidade de magias disponíveis, de modo que vai faltar botão para algumas delas, então precisamos fazer uma gestão das teclas de atalho para escolher quais magias queremos em nossa pool. O bom é que isso torna a quantidade de builds enorme! Tem para todos os gostos.
Os inimigos não morrem com apenas uma magia como nos filmes, é preciso acertar um combo neles. Também podemos usar objetos do cenário para arremessar nos inimigos e quebrar seus escudos, podemos nos proteger com escudos ou repelir ataques com o estupefaça.
O combate é o auge do game, além, é claro, dos momentos sobrevoando as terras de Hogwarts com uma montaria ou com uma vassoura.
O problema é que a variedade dos inimigos é escassa. São sempre as mesmas aranhas na maioria das missões secundárias, fica cansativo na metade do jogo. E os locais de exploração também não são diferentes uns dos outros, são cavernas e labirintos de minas abandonadas, ou então sarcófagos lotados de inferis (uma espécie de morto vivo).
O jogo possui uma quantidade razoável de puzzles, seja nas fases para descobrirmos como avançar, seja nos locais aleatórios do mapa para desvendarmos algum tesouro ou desbloquear portas. Felizmente os mais difíceis são opcionais, mas para quem gosta, sabe que poderá encontrar esse elemento no game.
A quantidade de extras é gigantesca, de modo que para fechar os 100% os jogadores estão levando em média 80h! Somente a história principal e alguns extras me custou 36h, e ainda faltava coisa para caramba! Há atividades relacionadas a exploração, colecionáveis de montão, captura de animais mágicos, fabricação de itens, competições, aulas diversas... Mesmo que você finalize a história, ainda haverá conteúdo para ser consumido.
Graficamente o jogo é bem bonito, o mundo é bem real, com arquitetura e plantas mágicas críveis Os prints tirados das minhas gameplays falam por si só.
Acredito que no tocante a cenário, Hogwarts Legacy esteja no mesmo nível que Cyberpunk 2077 e Red Dead Redemption 2 (ambas as versões de PC no High). Porém, o jogo peca na modelagem dos personagens. Infelizmente os personagens parecem bonecos do final da 7ª geração, meio sem vida. O lábio dos personagens muitas vezes não acompanham as vozes, quebrando a imersão no meio da jogatina.
Para um jogo de 2023, esperava mais, visto que 5 anos antes, Red Dead Redemption 2 apresentava um mundo aberto realista e com personagens vivos e críveis.
O jogo rodou bem na minha máquina (Ryzen 5 5600 + RX 6600 + 32GB), cravando os 60 fps em boa parte da jogatina. Não notei quedas severas relevantes.
Porém, o jogo crashou diversas vezes. Logo na primeira hora crashou uma vez, depois crashou mais umas 8x até o final do jogo. Além disso, na segunda metade do jogo encontrei alguns bugs bisonhos em algumas missões, personagens que ficavam intangíveis e não conseguia matá-los, sendo obrigado a reiniciar o checkpoint.
É um bom jogo. Um sucesso de vendas, muito por conta dos livros e filmes e certamente a equipe de desenvolvimento pegou muitos insights para fazer um segundo game ainda melhor!
Porém não recomendo a compra para qualquer um, acredito que os pontos negativos do game possam ser relevados por quem já conhece o universo, quem é de fora talvez acabe perdendo várias referências e se cansando rápido.
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