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The Sopranos: A máfia além do clichê

A série que brilha no ordinário e revoluciona a narrativa sobre crime, família e fragilidade do anti-heroi


Vadiando por listas de melhores séries de todos os tempos, sempre encontrava The Sopranos figurando no topo. Eu já assisti várias dessas mais badaladas como Game of Thrones, Breaking Bad, Prison Break, Miami Vice... Mas o interesse genuíno por conhecer The Sopranos se deu após ler o livro O Grande Fora da Lei, que basicamente conta as origens da série de jogos Grand Theft Auto.

Eu descobri que os jogos da série GTA tinham muitas inspirações em filmes e séries. GTA III e Liberty City Stories por exemplo, beberam muito de The Sopranos. Ambos os jogos se passam em uma Nova York fictícia e abordam o universo da Máfia. The Sopranos se passa em New Jersey, uma cidade próxima a New York, e aborda o mesmo tema, só que de uma maneira mais crua e menos clichê.


A primeira surpresa para quem decidir assistir essa série, é justamente o fato de que apesar dela abordar o tema máfia, a história não vai girar o tempo todo em torno dela, e também não será clichê como em filmes como O Poderoso Chefão, Cassino e Os Bons Companheiros. The Sopranos é mais uma série que gira em torno de uma família americana, mostrando o seu dia a dia, os conflitos internos dos membros e suas relações com a sociedade. O personagem principal chama-se Tony Soprano, e ao longo da série ele precisará passar por muitos problemas relacionados não só a sua família verdadeira, como também a sua família criminosa, vulgo máfia.

O clima da série é de drama a maior parte do tempo, mas também de comédia. Eu diria que é uma espécia de Dramédia, pois alguns personagens são realmente engraçados. Mas não é uma comédia para bolar de rir como em The Office, Everybody Hates Chris e Chaves, mas sim algo mais natural e menos forçado. Em The Sopranos vemos cenas que teoricamente deveriam ser trágicas se tornando engraçadas, como em uma em que um rapper negro pede ajuda a um mafioso para levar um tiro, pois acreditava que isso o tornaria famoso (nos anos 90 os rappers se gabavam por terem sido alvejados e sobrevivido), o mafioso decide mirar na coxa, mas acerta na bunda do cara que fica gritando: "- acertaram a minha bunda, acertaram a minha bunda!"


O protagonista não faz o tipo de cara durão frio e calculista, ele é esquentado, cheio de vícios e às vezes até fraco (mentalmente). Logo no primeiro episódio ele desmaia por conta de uma crise de ansiedade, e por conta disso decide procurar uma psiquiatra. Em todos os episódios vemos ele se consultando com a psiquiatra, e a série mostra os pensamentos do nosso protagonista através dessas consultas. O interessante é que nos anos 90 ainda era tabu as pessoas se consultarem com psiquiatras ou psicólogos, e por isso a série chamou a atenção de muitos na época, pois afinal: um criminoso que se consulta com uma psiquiatra?


Os episódios duram cerca de uma hora, e cada temporada tem 13 episódios com exceção da última que tem 21 e foi dividida em duas partes. Aliás, eu senti que o nível do roteiro caiu na última temporada, creio que seja por que eles quiseram esticar a série devido ao grande sucesso. Não pretendo dar spoilers, mas eu senti uma frustração moderada na última temporada.

Enfim, The Sopranos é uma série que vale muito a pena ser vista, principalmente se você gosta do tema Máfia. A série não possui grandes cenas de CGI ou reviravoltas extraordinárias como em Breaking Bad, é uma série que brilha no ordinário. Nas pequenas cenas do dia a dia de uma família, nos diálogos sobre coisas banais, tudo vira uma grande fonte de entretenimento viciante que deixa um gostinho de quero mais no final.

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