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Banishers: Ghosts of New Eden - Amor, Morte e Escolhas Impossíveis

Uma aventura que começa promissora, mas perde força conforme as horas passam.


Banishers Ghosts of New Eden apareceu em uma promoção na Steam por R$40, dei uma olhada na sinopse e gostei, também gostei dos gráficos e trailers, e duas pessoas falaram que era muito bom, então comprei. Normalmente leio análises antes de realizar uma compra, mas dessa vez não fiz isso e me arrependi.

Desenvolvido pela DON'T NOD, estúdio francês que também fez Vampyr (já zerei, é um bom jogo), é tido como mediano no mundos dos games. Essa é uma franquia inédita deles e com uma temática que nunca abordaram antes, o hype criado pelo game foi razoável, mas depois que lançou, o jogo não vendeu tanto e reza a lenda que deu até prejuízo.


Banishers conta a história de um casal de "banidores", a Cubana Antea Duarte e o ex-soldado Escocês Red mac Raith. Banidores no mundo do jogo são uma espécie de caça fantasmas, e o jogo é basicamente isso, uma aventura para caçar fantasmas. Os fantasmas são como almas penadas que se recusam a ir para o inferno e ficam na terra para assombrar os vivos. Os banidores então precisam investigar as origens das assombrações, e após concluir e descobrir o elo entre a pessoa assombrada e o fantasma, poderá escolher entre mandar o fantasma para o inferno ou então "ascendê-lo" para que ele vá em paz.

Logo no início, e isso não é um grande spoiler pois está na sinopse do jogo, Antea é morta por uma fantasma muito poderosa que está devastando as mentes dos habitantes de um lugar chamado New Eden, uma cidade que fica na américa colonial. Red sobrevive e é salvo por uma bruxa, e por ironia do destino, Antea retorna como fantasma para assombrá-lo. Ela resolve ficar ao seu lado para que juntos consigam derrotar aquela fantasma, mas antes, eles precisam decidir se Red vai ascender a alma de Antea, ou então realizar um ritual macabro envolvendo sacríficos humanos para tentar trazer a sua amada de volta, essa escolha cabe ao jogador.


A história nas primeiras horas é muito interessante, logo no começo vemos eles chegando naquele novo mundo, e descobrindo que o local está em frangalhos, as pessoas estão sem esperança e querendo abandonar o local, uma fantasma muito poderosa está agindo e os banidores chegam como possíveis salvadores daquela maldição. E mesmo depois que Red é atirado ao mar e acorda a quilômetros de distância, o início do caminho de volta é bacana. Porém depois das 10h de jogo começamos a notar falhas graves no roteiro.

Diferente de Vampyr, em que os casos em que resolvemos possuíam muitas camadas e rastros para lermos e investigar, em Banishers a coisa é mais crua, a investigação nada mais é que seguir o mapa, apertar alguns botões e esperar a custcene. A única hora em que atuamos mesmo, é quando vamos encerrar o caso, e aí podemos escolher entre banir o fantasma, ascendê-lo ou então sacrificar o aldeão que estava sendo assombrado e usar sua vida no ritual para ressuscitar a Antea.

A história do jogo vai brilhar justamente nesses momentos em que precisamos fazer escolhas morais, vale matar por amor? E se a vida tirada for de uma pessoa ruim? Temos esse direito? E o fantasma? Será que ele é uma vítima? Precisamos mesmo bani-lo? São escolhas que o jogador deve fazer ao longo da campanha.

Nem preciso dizer que há mais de um final possível, e tudo vai depender das escolhas do jogador. Porém o problema é o caminho até o final... O roteiro principalmente das missões secundárias é pobre e até forçado, e fiquei com a impressão que os roteiristas quiseram dar uma lacrada woke em alguns momentos.


A ambientação contraditoriamente não é sombria. Estamos falando de mortes, assombração, rituais e sacrifício, mas o clima do jogo é de vida. A maioria dos cenários são compostos por florestas e montanhas. Por isso, não haverá uma única cena sequer em que o jogador tenha "medo" de entrar em qualquer lugar que seja.

Os fantasmas são brilhantes, e salvo exceções, não amedrontam nem uma criancinha. E apesar de controlarmos dois personagens ao mesmo tempo, o clima é de solidão. Com exceção dos acampamentos, não há ninguém nos interstícios do mapa que são bem longos e chatos, vez ou outra encontramos casebres abandonados com algum baú brilhante lá dentro e cheio de coisas inúteis, e só.

Os cenários do jogo variam constantemente entre: "- Uau, isso aqui é realmente interessante e macabro." para "- Isso é genérico e sem graça."


A jogabilidade é muito melhor que em Vampyr. Enquanto no segundo tínhamos um combate travado, no primeiro temos algo totalmente fluído e dinâmico. Controlamos Red e Antea, porém só podemos atacar com um por vez. O Red tem ataques físicos com uma espada ou escopeta, já a Antea tem os chamados ataques espirituais que causam mais danos a certos espectros.

Conforme avançamos no jogo, podemos comprar novos trajes que garantem mais pontos de atributo e também podemos evoluir as armas e atribuir mais pontos na árvore de habilidades de combate. Há uma quantidade ok de builds e estilos de jogo.

O grande problema é a repetição insana de cenários e inimigos. Os cenários não são exatamente iguais, mas possuem sempre a mesma mecânica: precisamos escalar aqui e ali, depois atirar em uma corda para destravar algo e depois subir ou descer. Há uma perda de tempo imensa para acharmos onde realmente temos que ir, e não há gratificação alguma em fazer isso. E os inimigos são sempres os mesmos, as vezes só muda a skin.

Depois das 10h de gameplay, eu já estava pesquisando na Net quanto tempo ainda faltava. Li que faltava 7h, pensei: "Ok, dá para aguentar mais um pouco". Cometi o erro de explorar algumas missões secundárias e só fui zerar com 30h de gameplay! As últimas horas foram extremamente cansativas!


Para salvar o jogador desse cansaço, temos um visual muito bonito. O jogo foi feito na Unreal Engine 5 que dispensa comentários e está tudo dentro do esperado para um jogo de 9ª geração. E não apenas os ambientes e objetos estão bem feitos, mas também os personagens que parecem vivos (diferente do Hogwarts Legacy).

E todo esse aparato roda bem, com uma taxa de quadros muito estável e sem crashs. Além disso, notei poucos bugs que comprometessem a jogatina.


Banishers: Ghosts of New Eden é um RPG de ação que nasce de uma boa ideia, porém possui falhas críticas que podem levar os jogadores a abandoná-lo no meio da gameplay. Infelizmente eles não souberam calibrar o roteiro e a extensão do mapa, o jogo muitas vezes parece genérico. Porém ele acerta no sistema de escolhas, que para quem é fã de jogos assim, certamente irá gostar.

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