Entre gráficos revolucionários, bugs frustrantes e combates explosivos, revisitei um dos FPS mais importantes da história.
Difícil haver um jogador assíduo de PC que não conhece Crysis. Esse jogo ficou marcado nos anos 2000 como o mais pesado da geração, tão pesado que servia de benchmarking para quem quisesse testar a potência do próprio PC. Quando alguém queria saber sobre a configuração do PC do amigo, perguntava: "mas roda Crysis?"
Boa parte da minha carreira como usuário de PC foi com uma máquina fraca para os padrões da época, não podia nem sonhar em rodar Crysis, era simplesmente inalcançável. Tinha que me contentar em contemplar screenshots e ler relatos de quem jogou.
Recentemente eu resolvi montar um Retro PC com hardware top dos anos 2000, a ideia era recriar a experiência da época e jogar jogos daquela geração em sua qualidade máxima. A máquina com toda certeza deveria rodar Crysis. E rodou.
O enredo de Crysis é simples de início, uma equipe de soldados americanos precisa invadir uma ilha controlada por Norte Coreanos e investigar algumas atividades estranhas que estão acontecendo naquela região, além de resgatar alguns cientistas. A equipe destacada é a Raptor Team, eles fazem parte da elite do exército americano e fazem uso de um equipamento chamado nano traje, que dá ao usuário um boost de força, camuflagem, resistência e velocidade. Em outras palavras, são super soldados.
Controlamos o soldado Nohmad, ele é um cara poucas ideias, fala pouco, sabemos pouco sobre ele. Mas apesar de ser o nosso herói, a história não gira em torno dele, mas sim no que está acontecendo naquela ilha.
Logo no começo, um de nossos parceiros é atacado por uma criatura misteriosa que não parece ser desse mundo. Então o que parecia ser um simples conflito entre exércitos, pode evoluir para algo mais sobrenatural e psicodélico.
A história de Crysis é boa o bastante para nos manter interessados, mas está muito longe de ser uma obra prima narrativa.
A jogabilidade já é um pouco mais interessante, pois graças ao nanotraje, as possibilidades de gameplay são imensas. Podemos ser furtivos ou fazer muito barulho. Também podemos usar e abusar do cenário, quase tudo é destruível. Podemos até arremessar caixas nos inimigos.
Porém me frustrei em algumas missões específicas, pois o jogo não deixou claro o suficiente para onde ir e o que fazer.
Da metade para o final, o jogo adota completamente a pegada de ficção científica. Não direi mais para não dar spoilers, mas a parada é realmente grande e frenética.
No tocante a ambientação, temos florestas muito densas, folhas com física aplicável e som de alta qualidade. Parece realmente que estamos lá dentro. Ela dá uma decaída em um momento em que precisamos entrar em uma espécie de labirinto que se repete tediosamente. Mas no final ela incorpora um tom épico, com uma música de fundo incrível.
Os gráficos são o ponto máximo do game, é indiscutivelmente o melhor gráfico dos anos 2000. Os desenvolvedores da Crytek realmente focaram no realismo, as texturas escolhidas são de alta definição e com um grande nível de detalhes, os efeitos de iluminação são superiores a qualquer outro da época, a água era impressionante, vegetação densa e detalhada, além da física bem realista e aplicada a muitos objetos.
Crysis em termos técnicos foi realmente um jogo a frente de seu tempo, há coisas nele que só foram se tornar comuns na indústria muitos anos depois. Mesmo atualmente ainda é um jogo que impressiona visualmente. E se você não tiver um Retro PC e quiser jogar no seu PC moderno, pode optar pela versão remasterizada que deve ter gráficos estupendos.
Porém, tanto poder gráfico teve seu custo, o desempenho do jogo ficou comprometido. Eu rodei ele em um Xeon E5450 (o mesmo que um Core 2 Quad Q9550) junto com uma GTX 960 (placa de entrada de 2016) e ele pegou 60 fps na maior parte do tempo, porém frequentemente tinha quedas para a faixa dos 40.
O problema maior, no entanto, não foi a taxa de frames, mas sim a quantidade de bugs. Enfrentei uma quantidade significativa de bugs que atrapalharam a continuação do game e me forçaram a resetar checkpoints. Os bugs normalmente envolviam inimigos que não morriam.
No geral, Crysis é um game marcante e obrigatório para todos os amantes de FPS, tem seus defeitos, que podem comprometer o fator replay, mas é mais provável que você goste do que desgoste.
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