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Rogue Galaxy: uma odisseia espacial imperfeita

Um RPG grandioso que mistura exploração, piratas e fantasia em uma galáxia que merecia ser ainda mais explorada


Imagine um RPG épico ambientado no espaço, que mistura elementos de Star Wars, Indiana Jones e Piratas do Caribe... temos Rogue Galaxy! Desenvolvido pela Level 5 (a mesma de Jeanne D'arc) e lançado em 2005 no Japão, esse jogo foi extremamente ambicioso, a ideia era rivalizar nada menos que Final Fantasy XII que seria lançado em período próximo naquela geração.

Apesar de não ter feito o mesmo sucesso do concorrente, Rogue Galaxy recebeu muitos elogios por parte da crítica e dos jogadores, só chegou no ocidente em 2007 com a versão Director's Cut, com adição de muito conteúdo extra, ocupando praticamente todo o espaço do DVD-9 de dupla camada da época (a título de comparação, GTA San Andreas ocupa 4,7GB do DVD comum, enquanto Rogue Galaxy ocupa quase 9GB de um dupla camada).


O enredo tem uma sinopse grandiosa, que envolve disputas políticas e problemas sociais. A galáxia está em guerra, há duas facções disputando a hegemonia: a Federação Longardiana e o Império Draxian. O planeta Rosa, que possui raros recursos naturais, está sob o assédio da Federação Longardiana, que os controlam para evitar que se desenvolvam e se aliem ao Império Draxian. As pessoas nesse planeta são praticamente escravas que precisam trabalhar para pagar impostos a esses tiranos.

O nosso protagonista se chama Jaster Rogue, ele vive no planeta Rosa e seu maior sonho é conseguir sair dele e explorar a galáxia. Certo dia, o planeta é invadido por bestas poderosas, e ele vai até a cidade para lutar contra elas. No meio do caminho, recebe a ajuda de um sujeito misterioso, que posteriormente descobrimos que ele é conhecido como Desert Claw, um lendário caçador espacial detentor da espada Desert Seeker. Após derrotar as bestas, esse sujeito, sem motivo aparente e sem dizer direito o porquê, entrega a Jaster essa poderosa e espada e some. Ao usar essa espada, as pessoas passam a pensar que o Jaster na verdade é o Desert Claw.


Um grupo de piratas espaciais que estavam a procura do Desert Claw para recrutá-lo para uma missão no espaço, acabam encontrando Jaster e o convidando para se juntar a tripulação. Como o grande sonho de Jaster era conhecer a galáxia, ele topa fingir ser o lendário caçador e se junta aos piratas rumo a essa aventura pela galáxia.

Esse é um RPG com uma história gigantesca e rica em diálogos, e apesar da sinopse inicial falar sobre conflitos políticos entre duas potencias, essa questão infelizmente foi pouco explorada no decorrer do game. A história se encaminha mais para o lado da aventura e exploração do misterioso, o capitão do navio está atrás de um artefato milenar que muitos acreditam não passar de uma lenda, esse artefato abriria o portal para um planeta perdido que está repleto de tesouros incalculáveis. E não apenas os piratas estão atrás desse artefato, como também um sujeito chamado Valkog Drazer, que é um cretino que lucra com a guerra intergaláctica ao manipular acontecimentos pelos bastidores (é uma espécie de meta capitalista).

Ao longo da aventura vamos conhecendo novos personagens que podem se juntar a nossa tripulação no navio, cada novo personagem tem uma história e drama próprio. Infelizmente algumas tramas são fracas e até forçadas. Eu diria que a história do jogo tinha potencial para ser muito mais do que foi, mas infelizmente teve muitas oportunidades desperdiçadas e escolhas duvidosas de narrativa.


No tocante a ambientação, temos um dos pontos fortes do jogo. Pois aqui podemos "navegar" no espaço e conhecer diversos planetas com características únicas. Há um planeta que parece uma floresta tropical, outro que parece uma cidade Cyberpunk, outro que é um deserto árido... A sensação de estarmos realmente viajando pela galáxia é muito prazerosa.

Na versão ocidental, o jogo vem com um planeta adicional. Que é composto por praias tropicais e possui uma história secundária extra que podemos explorar se quisermos.

Uma das coisas mais legais é que o navio em que viajamos é totalmente explorável, podemos conversar com os tripulantes no bar e até ir até o deck contemplar as estrelas.


Rogue Galaxy não adota combates por turno, em vez disso temos ação em tempo real, controlamos um personagem da equipe diretamente (os outros dois são controlados por IA), podemos trocar de personagem, usar habilidades e técnicas especiais, usar itens e etc. Porém não é um jogo de esmagar botões, é um RPG, portanto nossas ações são limitadas por uma "barra de estamina", quando ela esgota, precisamos esperar um tempo para podermos voltar a executar ações.

Temos um complexo sistema de evolução de armas e personagens. Cada personagem tem sua própria grande árvore de habilidades, que podem ser mexidas ao adicionar itens que encontramos em baús e lojas ao longo do jogo.


Infelizmente o jogo sofre com um grind maçante depois de algumas horas de gameplay. Algumas fases são labirintos intermináveis e feitos com pouco esmero. O que contrasta com a proposta "big" do jogo.

Há muitos extras, o que pode se tornar um amontoado de inutilidades se você for querer fazer tudo. A gestão de inventário é uma bagunça e nem dá vontade de mexer naquilo, mas precisamos para poder conseguir upar as armas. Também há um sistema de fábrica que é horrível, nela podemos construir armas e equipamentos.

Dentre outros extras, o que mais se destaca é o Insectron. Que é uma espécie de torneio de lutas entre insetos. Precisamos capturar insetos com armadilhas (cada planeta tem um tipo diferente( e usá-los nessas arenas.

A campanha do jogo possui muitos chefes apelões, e sem um guia ao nosso lado, o sofrimento vai ser imenso, pois o jogo possui game over e você recomeça do último save sempre que morre.


Graficamente o jogo é belo, com uma ótima cinemática em cenas chaves ao longo da história. E mesmo in-game, as texturas e efeitos são bem decentes para o padrão PS2. 

Cada personagem tem habilidades que podem ser usadas no decorrer das batalhas, cada habilidade tem animação própria, o que deixa as lutas mais legais de se ver.


No tocante ao desempenho, o jogo sofre com quedas ocasionais de frames, que não atrapalham a gameplay mas interferem na imersão.

Também enfrentei alguns bugs, principalmente nos combates, inimigos ficavam presos em paredes invisíveis  e viravam buchas de bala. Pelo menos em nenhum momento precisei resetar o game por conta de um bug.


Rogue Galaxy é um ótimo RPG e talvez um dos melhores do PlayStation 2. A ambição dos criadores foi alta, faltou polir alguns pontos, mas no geral é um jogo acima da média. Pena que não haverá continuação, apesar da história e do universo permitirem muito mais aventuras.

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